No Observatório da Imprensa:
CENSURA NA VENEZUELA
Jornais reagem a proibição de imagens "violentas"
Em 20/8/2010
A imprensa venezuelana condenou a proibição da publicação de imagens violentas instituída no início da semana por um tribunal especial de proteção a crianças e adolescentes. A ordem veta a publicação nos jornais de imagens "violentas, sangrentas ou grotescas" com o objetivo de proteger os jovens. O período da proibição coincide com o mês de campanha antes das eleições legislativas de setembro.
Diversos jornais do país criticaram a medida, e grupos em defesa da liberdade de imprensa a classificaram de censura. Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, a ordem é muito vaga. Representantes da ONU e da Organização dos Estados Americanos divulgaram uma nota em conjunto pedindo que a proibição seja anulada, pois institui a censura prévia e viola o princípio de liberdade de expressão.
A ordem foi aprovada depois que o diário venezuelano El Nacional publicou, na semana passada, fotografias explícitas de cadáveres em um necrotério. O objetivo do jornal era chamar a atenção para o aumento de assassinatos nas ruas de Caracas.
Debate público
O presidente Hugo Chávez, cujo governo não divulga há anos dados relacionados a crimes, declarou que "seus críticos" estariam usando imagens "pornográficas" como a do necrotério para deturpar o debate público sobre o problema da violência para desestabilizar sua autoridade.
Na quarta-feira [18/8], o El Nacional deixou grandes espaços em branco em suas páginas com a palavra censura "impressa" no lugar das fotos. A violência nas ruas é uma das principais questões na campanha para as eleições, marcadas para 26 de setembro. Números não oficiais de uma ONG que monitora a violência no país dão conta de que ocorreram mais de 16 mil assassinatos no último ano. Em Caracas, que é hoje considerada uma das cidades mais perigosas da América do Sul, foram 140 homicídios por 100 mil habitantes – para se ter uma ideia, em Bogotá este número é de 18 por 100 mil. Com informações da AFP.
Veja o texto original aqui.
Cada vez mais sinto que Eric Arthur Blair, também conhecido como George Orwell, foi um visionário, com sua crítica ácida e precisa do socialismo, feita no livro 1984.
A censura, a tentativa de reescrever a história, o direcionamento de pautas... Certas coisas caminham perigosamente para o cenário traçado na literatura. Só não vê quem não quer.
Começo a ficar com certo receio...
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
George Orwell e o efeito Tostines
A vida atual está muito influenciada pelo efeito Tostines.
As pessoas estão mais liberadas, pois tudo está mais escancarado, ou tudo está mais escancarado, pois as pessoas estão mais liberadas?
Depois das muitas restrições impostas ao longo das décadas de 40, 50, 60 e 70, consolidou-se uma verdadeira liberação dos costumes e condutas sociais nas décadas de 80, 90 e 00. Conversas ao celular, no meio da rua, em altos brados, busca incessante por aparecer em colunas sociais (eletrônicas ou impressas), alterações de comportamento, desejo irrefreável de parecer “diferente” e se destacar da massa, a necessidade de ficar "on-line" pelo máximo de tempo possível, o uso irresponsável das chamadas “redes sociais” na internet, expondo perigosamente a intimidade, uso de drogas lícitas e ilícitas, desejo de poder pelo poder, são apenas alguns sintomas que noto em nossa sociedade, cada dia mais doente.
A internet, o celular, a expansão desenfreada da venda de máquinas fotográficas e filmadoras digitais, as transmissões ao vivo, via satélite, o aumento da quantidade de emissoras de TV, o uso de câmeras de monitoramento, tudo tem contribuído para que caminhemos para algo como a exposição total de nossa privacidade, seja ela por vontade própria (o exibicionismo é uma das características do ser humano), seja por vontade alheia e/ou necessidade (autoridades, empresas, instituições).
Esta situação já havia sido prevista no livro 1984, de George Orwell (cujo verdadeiro nome era Eric Arthur Blair), publicado em 1949, no qual todos os habitantes da Oceania (no livro, o mundo era dividido em Oceania, Eurásia, Lestasia e uma área chamada “em disputa”) eram monitorados por teletelas, em qualquer lugar que fossem. Foi nesse livro que surgiu a expressão Big Brother, Grande Irmão na versão em português, imagem-símbolo do regime totalitário implantado, e de sua ideologia, o IngSoc. Daí para aquela porcaria chamada aqui no Brasil de BBB, foi um pulo (o programa foi criado pela produtora holandesa de “reality shows” Endemol, e teve seus direitos de exibição adquiridos pela Globo).
Recomendo fortemente a leitura (ou a releitura, como é o meu caso) de 1984, com um olhar clínico e atento. Depois, cabe uma reflexão sincera sobre os rumos que nossa sociedade dita civilizada tem tomado. Você nota uma semelhança de métodos entre o regime do livro e certos governos de determinadas republiquetas, muitas delas tropicais? Para relembrar, e como exemplo didático, cito o próprio personagem principal do livro, Winston Smith, cuja função no Ministério da Verdade era a “retificação” de notícias já publicadas, alteradas de acordo com os interesses do Partido. Também vale lembrar uma das regras do regime nazista: uma mentira contada mil vezes passa a ser encarada como verdade.
Pense bem e responda à Pergunta Básica: esse é o tipo de sociedade na qual você gostaria de viver?
As pessoas estão mais liberadas, pois tudo está mais escancarado, ou tudo está mais escancarado, pois as pessoas estão mais liberadas?
Depois das muitas restrições impostas ao longo das décadas de 40, 50, 60 e 70, consolidou-se uma verdadeira liberação dos costumes e condutas sociais nas décadas de 80, 90 e 00. Conversas ao celular, no meio da rua, em altos brados, busca incessante por aparecer em colunas sociais (eletrônicas ou impressas), alterações de comportamento, desejo irrefreável de parecer “diferente” e se destacar da massa, a necessidade de ficar "on-line" pelo máximo de tempo possível, o uso irresponsável das chamadas “redes sociais” na internet, expondo perigosamente a intimidade, uso de drogas lícitas e ilícitas, desejo de poder pelo poder, são apenas alguns sintomas que noto em nossa sociedade, cada dia mais doente.
A internet, o celular, a expansão desenfreada da venda de máquinas fotográficas e filmadoras digitais, as transmissões ao vivo, via satélite, o aumento da quantidade de emissoras de TV, o uso de câmeras de monitoramento, tudo tem contribuído para que caminhemos para algo como a exposição total de nossa privacidade, seja ela por vontade própria (o exibicionismo é uma das características do ser humano), seja por vontade alheia e/ou necessidade (autoridades, empresas, instituições).
Esta situação já havia sido prevista no livro 1984, de George Orwell (cujo verdadeiro nome era Eric Arthur Blair), publicado em 1949, no qual todos os habitantes da Oceania (no livro, o mundo era dividido em Oceania, Eurásia, Lestasia e uma área chamada “em disputa”) eram monitorados por teletelas, em qualquer lugar que fossem. Foi nesse livro que surgiu a expressão Big Brother, Grande Irmão na versão em português, imagem-símbolo do regime totalitário implantado, e de sua ideologia, o IngSoc. Daí para aquela porcaria chamada aqui no Brasil de BBB, foi um pulo (o programa foi criado pela produtora holandesa de “reality shows” Endemol, e teve seus direitos de exibição adquiridos pela Globo).
Recomendo fortemente a leitura (ou a releitura, como é o meu caso) de 1984, com um olhar clínico e atento. Depois, cabe uma reflexão sincera sobre os rumos que nossa sociedade dita civilizada tem tomado. Você nota uma semelhança de métodos entre o regime do livro e certos governos de determinadas republiquetas, muitas delas tropicais? Para relembrar, e como exemplo didático, cito o próprio personagem principal do livro, Winston Smith, cuja função no Ministério da Verdade era a “retificação” de notícias já publicadas, alteradas de acordo com os interesses do Partido. Também vale lembrar uma das regras do regime nazista: uma mentira contada mil vezes passa a ser encarada como verdade.
Pense bem e responda à Pergunta Básica: esse é o tipo de sociedade na qual você gostaria de viver?
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