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terça-feira, 17 de julho de 2012

Lá se foi a minha mistura...

Era mais uma manhã normal em casa. Minha esposa estava arrumando algumas roupas, e eu fui fazer a barba, pois logo depois do almoço eu sairia para trabalhar.
Saí do banheiro e senti um cheiro muito bom. Minha esposa já adiantou: hoje tem espetinho de camarão!
Passei pela cozinha e vi os tais espetinhos no prato, em cima da mesa. Realmente, não era só o cheiro. A aparência estava muito convidativa. Fui tomar banho, enquanto minha esposa atendia o telefone.
- Cadê a Suri? - perguntei, ao passar pela sala.
- Está lá embaixo, latindo para alguém, só para variar.
- Já troquei a água da vasilha, OK?
Cheguei de volta na cozinha, depois do banho, vi algumas migalhas no chão, e a Suri lambendo tudo por ali.
Ao olhar para a mesa, a surpresa: cadê os espetinhos? Só ficou o guardanapo sujo de óleo da fritura...
Na lavanderia, vi apenas os restos dos espetinhos mastigados...
- Cachorra sem-vergonha!!! Comeu meu camarão!!! Amor, vem cá!!!
- O que foi?
- A Suri! Comeu todos os espetinhos!
- Não acredito! Cadê ela?
Já estava lá embaixo, de novo, só que, dessa vez, se escondendo. Depois de chamarmos várias vezes, ela subiu, com cara de gato que comeu o canário, quer dizer, de cachorra que comeu o camarão, cotó entre as pernas e cabeça baixa, quase se arrastando. Dava para ler em seus olhos algo assim: desculpe-me, mas é que o cheiro estava tão bom... Eu não resisti! Comi tudinho e lambi os beiços!
Minha esposa então disse:
- Bem, já era! Vou fritar um hambúrguer para você, tá?
- Tá! Fazer o quê? Lá se foi minha mistura... Cachorra danada! Além de fujona, agora deu de roubar comida!
Meu medo era que ela tivesse comido os espetinhos de madeira, além do receio de ela ser alérgica a camarão. Se bem que os vira-latas são mais resistentes a certas frescuras de cachorros ditos "de raça".
Até na hora em que saí, ela não tinha vomitado, e nem ficado toda empolada.
Quem disse que cachorro não come camarão? Come, e ainda lambe os beiços! Eu é que fiquei no prejuízo...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Programa turístico

Estou lançando o mais novo pacote turístico do mercado.
É sensacional, não custa nada, e você ainda perde algumas calorias.
Chama-se: conheça seu bairro correndo atrás da Suri.
Devido a um defeito na presilha da guia, só hoje ela conseguiu fugir duas vezes seguidas. Com isso, já contabilizamos sete fugas!
Nas correrias atrás da cadela mais rápida que eu já vi, conheci quatro novos botecos, um salão de eventos, uma padaria, uma oficina, algumas novas construções no bairro, uma madeireira, sem contar as ruas em si, nas quais eu ainda não havia passado.
Quem vê essa coisinha fofa na foto não sabe do que ela é capaz...
Como diz o "velho deitado": quem não te conhece que te compre!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Ficha corrida extensa

- Perturbação da ordem pública;
- Invasão de propriedade;
- Destruição de propriedade;
- Agressão física;
- Brigas;
- Desobediência;
- Cinco fugas.
Alguém diria:
- É uma bela ficha suja, hein?
Ou talvez:
- Mas que bela ficha corrida!
Concordo em gênero, número e grau, mas não estamos falando de um reles delinquente.
Quem está nesta situação constrangedora é ninguém mais, ninguém menos do que ela, a cadela mais safada da paróquia: Suri.
Já destruiu parte uma cadeira giratória (duas coberturas dos pés e a peça de ajuste da mola do assento reclinável), dois tapetes, um pincel usado para tintura de cabelo e parte do pé da tábua de passar roupas, e quebrou três copos.
Numa de suas fugas, invadiu dois bares e uma festa de aniversário, causando verdadeira comoção na vizinhança.
Noutra fuga, arengou com dois cachorros muito maiores do que ela, em uma marcenaria. A sorte é que o alambrado era resistente, e os dois brutamontes não conseguiram pegá-la.
Numa das fugas, mordeu a mão do filho da vizinha, que estava nos ajudando na captura.
Quase todos os dias, fica latindo (não sei se conversa, ou se troca acusações e xingamentos) para o cachorro do vizinho dos fundos.
Quando pedimos para ela sair, ela entra, e vice-versa. Quando pedimos para dar a pata, ela deita.
Bem, toda situação tem dois lados. Ela adora correr e brincar, está sempre disposta, adora colo e carinho, não sai do nosso lado, é muito companheira, e sua audição é particularmente aguçada, estando ligada 24 horas por dia. Ninguém passa em frente de casa impunemente. Ela pode até não latir, mas segue os passos da pessoa em toda a extensão do portão e do muro. Atende um chamado com uma rapidez típica de cachorros pequenos e ágeis.
Sua saudosa “irmã”, Madonna, quando tinha sua idade, também era uma pestinha. Depois tornou-se uma “lady”.
É o que esperamos do furacão Suri.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Uma nova companhia

Passados seis meses (caramba, como o tempo passa rápido!) da partida de nossa querida Madonna (aqui), temos uma nova companheira.
Perto do Carnaval, fui passar uns dias com o meu pai. Já sabíamos que ele recebera de “presente” uma cadelinha. Lá chegando, encontramos dois seres estressados: um de duas patas, e outra de quatro patas.
Ele nunca teve um cachorro, e não sabia cuidar dela, que passava os dias num corredor e na lavanderia. Não podíamos abrir a porta da cozinha, que ela entrava como uma doida em casa, pulando em todo mundo e fazendo a maior bagunça. Ele gritava com ela, e ela não entendia nada, com um medo terrível, tremendo como vara verde.
Depois de uma conversa séria, de filho para pai, resolvemos trazê-la para nossa casa.
Compramos uma caixa de transporte, e fomos direto para o adestrador que treinou a Madonna. Lá ela passou um mês, sob os cuidados de seu “professor”.
Chegou aqui em casa há duas semanas.
Deu-nos alguns prejuízos, pois derrubou três copos que deixamos ao seu alcance, e mordeu uma proteção plástica do pé de uma cadeira giratória.
E também nos deu uma bela dor de cabeça, fugindo por uma fresta do portão, durante frações de segundo de vacilo, logo na sua segunda noite por aqui. Tivemos que rodar o bairro por quase meia hora, até encontrá-la às turras com dois cachorrões de uma madeireira, a cinco quadras de casa. E, para ajudar, ela estava no começo do cio. Tive que espantar um vira-latas preto que estava por perto, já tentando uma paquera.
Mas, depois disso, afirmo que ela está se adaptando. Podemos dizer que começou a “entrar nos eixos”.
Adora brincar, ainda não é totalmente obediente, não para quieta, mas é muito carinhosa. Sua audição é muito boa, e seu faro parece ser muito apurado. Segundo sua “certidão de nascimento” (a ficha do veterinário), tem quase um ano.
Eis aqui nosso novo anjo de quatro patas: Suri, uma legítima vira-latas.

Não é uma homenagem à filha do Tom Cruise. É que ela, quando fica em pé, se parece com um suricato. Magrela, marrom, com o focinho afilado, e está sempre atenta.
Essa cadelinha ainda vai dar muito o que falar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Anjos de quatro patas

No Estadão, aqui.

Cão da raça Border Collie aprende mais de mil palavras

Não sei por quê, mas penso que nossos amigos, os anjos de quatro patas, são muito mais inteligentes do que muito(a) marmanjo(a) que anda/se arrasta por aí, dizendo-se ser pensante.
E a inteligência não é tudo. Ainda temos companheirismo, fidelidade, obediência, instinto de proteção da "matilha", carinho, e tudo isso sem pedir nada em troca, a não ser atenção (carinho, brincadeiras e afins) e cuidados básicos.
Não têm segundas intenções, não fazem fofocas, não têm melindres. São verdadeiros. Não se ligam em modismos, não querem saber se seu carro é do ano, se sua roupa é de grife e qual é a sua família.
Algumas raças até podem apresentar chiliques, mas devido ao fato de não terem sido bem criadas e treinadas. Que o digam os donos de alguns poodles, pinschers e cockers...
Aproveito para pedir licença aos demais proprietários de "anjos", para que os represente com uma foto dela, que infelizmente não pôde ver o amanhecer de 2011. Nossas festas de final de ano não tiveram, por isso, toda a alegria que poderiam ter. Mas ela continua viva em nossas lembranças.

Aqui ela estava fazendo uma arte: estava refestelada na nossa cama, e estava gostando, claro!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A partida de um Anjo

Ela chegou numa noite fria e chuvosa de um domingo de outono, pequena, um pouco estressada pela mudança, teimosa, geniosa. Cabia numa caixa de papelão, sua primeira casinha.
Ficou, cresceu e nos conquistou.
Pulou, brincou, correu, puxou roupas do varal, destruiu algumas coisas.
Mas aprendeu a se comportar como uma lady.
Foi amiga, companheira zelosa.
Cuidou de nós, tanto quanto cuidamos dela.
Deu-nos tanto carinho quanto demos a ela.
Nunca pediu nada, a não ser quando comíamos frutas. Aí, aquele olhar pidão era irresistível.
Demos a ela do bom e do melhor.
Chegar em casa e ver aquele rabo abanando não tinha preço. Sua alegria era autêntica.
Espero que tenha sido feliz conosco, assim como fomos muito felizes com ela.
Se ao menos ela pudesse falar, para nos contar o que sentia.
Esperávamos ter a sua companhia por mais alguns anos. Esperávamos poder pegar seus filhotes no colo.
Tínhamos muito ainda que passear, que brincar de bola, que brincar de cabo de guerra.
Partiu por causa da doença silenciosa, a leishmaniose, assintomática no princípio, implacável, que lhe tomou as forças aos poucos.
Segundo seu veterinário, não sofreu ao nos deixar. Não consegui acompanhar seus últimos suspiros. Foi extremamente doloroso. Eu já estava chorando demais.
Sofremos nós, que ficamos sem ela.
Ficou só por quatro anos e meio.
Partiu numa tarde ensolarada e quente de primavera. Voltou para junto dos outros Anjos, seus iguais.
Esta pequena e singela homenagem é muito pouco pelo muito de bom que você trouxe para nossas vidas, pelo muito que você nos ensinou.
Não tenho mais palavras. O nó na garganta é muito maior do que a própria.
Adeus, Madonna. Muito obrigado pela sua companhia.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

É o cão chupando manga

Certamente você já deve ter ouvido a expressão "é o cão chupando manga".
Há vários significados para ela, tais como coisa muito feia ou bonita, ou situação difícil.
Mas poucas vezes se produziu uma imagem que retratasse o fato.
Pois bem, há algum tempo eu tive a felicidade de produzir alguns cliques que ilustram bem tal expressão.
Divirtam-se.




sexta-feira, 9 de julho de 2010

Os bípedes e os quadúpedes, supostamente inteligentes

Tem gente que pensa que eles são só cachorros.
Que só dão trabalho: tem que dar banho, limpar a sujeira, não deixar que peguem a roupa do varal, mandar sair de baixo da cama, não deixar que durmam no nosso quarto, levar ao veterinário, comprar ração, limpar a vasilha de água, lavar a casinha.
Só que tem um outro lado, muito mais gostoso: eles brincam conosco (o dia todo, se precisar), nos fazem companhia, protegem a casa, quando retornamos, fazem a maior festa, não deixam os pardais comerem as sementes na horta, e não deixam os gatos passearem “pelo pedaço”. E aquele rabo pontudo abanando não tem preço.
Os machos, claro, gostam de marcar o território. As rodas dos carros é que “pagam o pato”. Mas as fêmeas não têm esse problema. Na maior parte das vezes, basta ensinar onde devem fazer as necessidades, e tudo se resolve.
Sua amizade por nós é incondicional. Não querem muita coisa em troca. Só atenção e carinho.
Em minha opinião, são melhores do que muitos bípedes supostamente inteligentes que vagam por nosso mundo sem ter coisas mais importantes para fazer, além de encher o saco dos outros.
Penso que são anjos, que vieram para nos proteger e ensinar algumas boas lições.
Este é o anjo que Deus colocou na nossa vida, Madonna, uma cadela pit-bull, carinhosa, companheira e que já foi mais arteira.

Uma senhora me perguntou, há algum tempo:
- Moço, esta é aquela raça que come gente?
Não, ela não come gente. Ela só defende a sua matilha (no caso, nós) e o seu território (nossa casa) de estranhos (no caso, supostos invasores). Simples assim.
- Você sai com esse bicho bravo para passear?
Claro que saio (não tanto quanto precisaria, sou franco em admitir). Tomo as precauções devidas, estabelecidas por lei estadual (em SP), que são focinheira, enforcador e guia curta. E não facilito as coisas, deixando a guia frouxa.
Sei quais são “as diferenças” dela: gatos, cavalos, carteiros, lixeiros e entregadores de folhetos de propaganda. Penso que ela não é muito diferente dos demais cachorros.
- Você recomenda o pit-bull?
Não recomendo para qualquer um. Para ter essa raça, tem que saber bem o que se está fazendo. Deve-se comprar o cão de um criador confiável, pois tem muita gente por aí que reproduz e cria os bichinhos para rinha. Os mais agressivos não devem se reproduzir.
A raça é forte por natureza. É um cão ágil, que gosta de exercícios, e que pode engordar bastante se não correr, pular e brincar. E pode se tornar agressivo se ficar trancado num cubículo por muito tempo.
Não sou a favor dessas leis que querem implantar, e que visam à eliminação da raça. Sou a favor da posse responsável.
- Ela é sociável?
Minha sogra passou um tempo em nossa casa, para se recuperar de um problema de saúde. Foi amor à primeira vista. Pareciam amigas de infância. Aonde minha sogra ia, lá ia a Madonna junto. Ela sentava-se para assistir TV, a Madonna deitava-se nos pés dela.
Com meu pai, também não foi diferente.
É claro que não se deve confiar 100% num animal. Não sou irresponsável de deixá-la sozinha com desconhecidos.
Aliás, não se deve confiar dessa maneira nem nos bípedes supostamente inteligentes.
Você estranhou um pouco o título? Pareceu-lhe errado, ou talvez enigmático?
Não. Foi proposital. Pense um pouco...