Quem disse que cabelo não rende notícia?
Na Folha:
12/08/2010 - 11h30
Paris Hilton é processada em R$ 60 milhões por usar alongamentos de outra marca
De São Paulo:
A socialite Paris Hilton está sendo processada em US$ 35 milhões (cerca de R$ 60 milhões) por uma marca de extensões capilares com a qual ela tinha contrato desde 2007.
A empresa Hairtech International alega que Paris quebrou seu contrato com a marca após usar alongamento com extensões capilares de outra marca em 2008. Agora, a empresa quer que a socialite pague 10 vezes o valor do seu contrato.
A empresa alega ainda que Paris perdeu uma festa de lançamento de um novo produto da marca em 2007 por que ela estava na cadeia.
Os advogados de Paris ainda não comentaram o caso.
Veja a "notícia" aqui.
Também no Globo:
Plantão - publicada em 13/08/2010 às 10h45m
US$ 35 milhões
Aplique de cabelo leva empresa a processar Paris Hilton
Veja aqui. Nem vou postar, pois o teor é semelhante.
Aproveito o caso da "socialite" para alguns rápidos comentários.
Segundo o Dicionário Aulete Digital, é um verbete novo, e significa "pessoa que pertence à classe alta e que geralmente figura nas colunas sociais".
Acrescento: parece-me que também há uma tendência de se transformar isso em "profissão". Por favor, não me pergunte exatamente como.
Poucas pessoas estão contentes com seus cabelos do jeito que são.
Quando são curtos, as pessoas os querem compridos, e usam os tais apliques para não esperar o lento crescimento natural. Às vezes, passam a tesoura para tê-los bem curtinhos. Só que muitas se arrependem, e dá-lhe aplique.
Quando são escuros, almejam o glamour do loiro. Quando são loiras, escurecem-no. No meio dessa história, podem aparecer as demais cores do arco-íris.
Quando são crespos ou ondulados, a chapinha é a solução. Quando são lisos, entra em cena o permanente, passando pelos repiques e desfiados.
Ultimamente, tenho visto alguns "penteados" que despertam a curiosidade, tanto ao vivo, quanto na TV.
E sinto que não são raras as ocasiões em que sentimos vontade de perguntar: quem é o seu "despenteador"?
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
George Orwell e o efeito Tostines
A vida atual está muito influenciada pelo efeito Tostines.
As pessoas estão mais liberadas, pois tudo está mais escancarado, ou tudo está mais escancarado, pois as pessoas estão mais liberadas?
Depois das muitas restrições impostas ao longo das décadas de 40, 50, 60 e 70, consolidou-se uma verdadeira liberação dos costumes e condutas sociais nas décadas de 80, 90 e 00. Conversas ao celular, no meio da rua, em altos brados, busca incessante por aparecer em colunas sociais (eletrônicas ou impressas), alterações de comportamento, desejo irrefreável de parecer “diferente” e se destacar da massa, a necessidade de ficar "on-line" pelo máximo de tempo possível, o uso irresponsável das chamadas “redes sociais” na internet, expondo perigosamente a intimidade, uso de drogas lícitas e ilícitas, desejo de poder pelo poder, são apenas alguns sintomas que noto em nossa sociedade, cada dia mais doente.
A internet, o celular, a expansão desenfreada da venda de máquinas fotográficas e filmadoras digitais, as transmissões ao vivo, via satélite, o aumento da quantidade de emissoras de TV, o uso de câmeras de monitoramento, tudo tem contribuído para que caminhemos para algo como a exposição total de nossa privacidade, seja ela por vontade própria (o exibicionismo é uma das características do ser humano), seja por vontade alheia e/ou necessidade (autoridades, empresas, instituições).
Esta situação já havia sido prevista no livro 1984, de George Orwell (cujo verdadeiro nome era Eric Arthur Blair), publicado em 1949, no qual todos os habitantes da Oceania (no livro, o mundo era dividido em Oceania, Eurásia, Lestasia e uma área chamada “em disputa”) eram monitorados por teletelas, em qualquer lugar que fossem. Foi nesse livro que surgiu a expressão Big Brother, Grande Irmão na versão em português, imagem-símbolo do regime totalitário implantado, e de sua ideologia, o IngSoc. Daí para aquela porcaria chamada aqui no Brasil de BBB, foi um pulo (o programa foi criado pela produtora holandesa de “reality shows” Endemol, e teve seus direitos de exibição adquiridos pela Globo).
Recomendo fortemente a leitura (ou a releitura, como é o meu caso) de 1984, com um olhar clínico e atento. Depois, cabe uma reflexão sincera sobre os rumos que nossa sociedade dita civilizada tem tomado. Você nota uma semelhança de métodos entre o regime do livro e certos governos de determinadas republiquetas, muitas delas tropicais? Para relembrar, e como exemplo didático, cito o próprio personagem principal do livro, Winston Smith, cuja função no Ministério da Verdade era a “retificação” de notícias já publicadas, alteradas de acordo com os interesses do Partido. Também vale lembrar uma das regras do regime nazista: uma mentira contada mil vezes passa a ser encarada como verdade.
Pense bem e responda à Pergunta Básica: esse é o tipo de sociedade na qual você gostaria de viver?
As pessoas estão mais liberadas, pois tudo está mais escancarado, ou tudo está mais escancarado, pois as pessoas estão mais liberadas?
Depois das muitas restrições impostas ao longo das décadas de 40, 50, 60 e 70, consolidou-se uma verdadeira liberação dos costumes e condutas sociais nas décadas de 80, 90 e 00. Conversas ao celular, no meio da rua, em altos brados, busca incessante por aparecer em colunas sociais (eletrônicas ou impressas), alterações de comportamento, desejo irrefreável de parecer “diferente” e se destacar da massa, a necessidade de ficar "on-line" pelo máximo de tempo possível, o uso irresponsável das chamadas “redes sociais” na internet, expondo perigosamente a intimidade, uso de drogas lícitas e ilícitas, desejo de poder pelo poder, são apenas alguns sintomas que noto em nossa sociedade, cada dia mais doente.
A internet, o celular, a expansão desenfreada da venda de máquinas fotográficas e filmadoras digitais, as transmissões ao vivo, via satélite, o aumento da quantidade de emissoras de TV, o uso de câmeras de monitoramento, tudo tem contribuído para que caminhemos para algo como a exposição total de nossa privacidade, seja ela por vontade própria (o exibicionismo é uma das características do ser humano), seja por vontade alheia e/ou necessidade (autoridades, empresas, instituições).
Esta situação já havia sido prevista no livro 1984, de George Orwell (cujo verdadeiro nome era Eric Arthur Blair), publicado em 1949, no qual todos os habitantes da Oceania (no livro, o mundo era dividido em Oceania, Eurásia, Lestasia e uma área chamada “em disputa”) eram monitorados por teletelas, em qualquer lugar que fossem. Foi nesse livro que surgiu a expressão Big Brother, Grande Irmão na versão em português, imagem-símbolo do regime totalitário implantado, e de sua ideologia, o IngSoc. Daí para aquela porcaria chamada aqui no Brasil de BBB, foi um pulo (o programa foi criado pela produtora holandesa de “reality shows” Endemol, e teve seus direitos de exibição adquiridos pela Globo).
Recomendo fortemente a leitura (ou a releitura, como é o meu caso) de 1984, com um olhar clínico e atento. Depois, cabe uma reflexão sincera sobre os rumos que nossa sociedade dita civilizada tem tomado. Você nota uma semelhança de métodos entre o regime do livro e certos governos de determinadas republiquetas, muitas delas tropicais? Para relembrar, e como exemplo didático, cito o próprio personagem principal do livro, Winston Smith, cuja função no Ministério da Verdade era a “retificação” de notícias já publicadas, alteradas de acordo com os interesses do Partido. Também vale lembrar uma das regras do regime nazista: uma mentira contada mil vezes passa a ser encarada como verdade.
Pense bem e responda à Pergunta Básica: esse é o tipo de sociedade na qual você gostaria de viver?
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
As naves precisam de tripulantes
Na Folha:
10/08/2010 - 08h36
Homem precisa abandonar a Terra logo, diz Hawking
DE SÃO PAULO
Eis o destino humano na opinião do físico Stephen Hawking: abandonar a Terra nos próximos 100 anos ou se tornar uma espécie extinta.
"Eu vejo grandes perigos para a raça humana." A solução, diz, é abandonar o planeta e se espalhar pelo espaço.
Em entrevista ao site "Big Think", Hawking disse que existem muitas ameaças atualmente: guerras, a exploração excessiva dos recursos naturais e a quantidade exagerada de gente vivendo no planeta.
Além disso, há outro risco, diz. "Se alienígenas nos visitassem agora, o resultado seria muito parecido com o que aconteceu quando Colombo chegou à América: não foi nada bom para os povos nativos", afirmou ele.
"Esses alienígenas avançados talvez sejam nômades, procurando conquistar e colonizar quaisquer planetas que eles consigam alcançar."
Mas ele se diz otimista. "Fizemos muito progresso nos últimos cem anos. Se quisermos ir além dos próximos cem, o futuro é o espaço."
O problema são as distâncias: a estrela mais próxima da Terra, depois do Sol, está a mais de quatro anos-luz - as espaçonaves atuais levariam 50 mil anos para chegar lá.
Leia o texto original aqui.
Independentemente da existência de alienígenas (você pode até não acreditar neles, mas seria muita presunção do ser humano acreditar que está sozinho, sendo o universo do tamanho que é), e da tecnologia disponível para viagens interestelares (ainda precisamos melhorar muito), tenho uma boa proposta de tripulação para as naves.
Seria uma covardia com o restante do universo, mas certamente seria a solução para boa parte de nossos problemas.
Já adivinharam quem seriam os colonizadores das profundezas do espaço? Não? Pensem um pouco.
Nada, ainda? Está bem. Eu falo: todos os estúpidos deste nosso planeta azul.
Com direito a passagem só de ida, claro!
Só não sei se sobrariam muitos habitantes por aqui...
10/08/2010 - 08h36
Homem precisa abandonar a Terra logo, diz Hawking
DE SÃO PAULO
Eis o destino humano na opinião do físico Stephen Hawking: abandonar a Terra nos próximos 100 anos ou se tornar uma espécie extinta.
"Eu vejo grandes perigos para a raça humana." A solução, diz, é abandonar o planeta e se espalhar pelo espaço.
Em entrevista ao site "Big Think", Hawking disse que existem muitas ameaças atualmente: guerras, a exploração excessiva dos recursos naturais e a quantidade exagerada de gente vivendo no planeta.
Além disso, há outro risco, diz. "Se alienígenas nos visitassem agora, o resultado seria muito parecido com o que aconteceu quando Colombo chegou à América: não foi nada bom para os povos nativos", afirmou ele.
"Esses alienígenas avançados talvez sejam nômades, procurando conquistar e colonizar quaisquer planetas que eles consigam alcançar."
Mas ele se diz otimista. "Fizemos muito progresso nos últimos cem anos. Se quisermos ir além dos próximos cem, o futuro é o espaço."
O problema são as distâncias: a estrela mais próxima da Terra, depois do Sol, está a mais de quatro anos-luz - as espaçonaves atuais levariam 50 mil anos para chegar lá.
Leia o texto original aqui.
Independentemente da existência de alienígenas (você pode até não acreditar neles, mas seria muita presunção do ser humano acreditar que está sozinho, sendo o universo do tamanho que é), e da tecnologia disponível para viagens interestelares (ainda precisamos melhorar muito), tenho uma boa proposta de tripulação para as naves.
Seria uma covardia com o restante do universo, mas certamente seria a solução para boa parte de nossos problemas.
Já adivinharam quem seriam os colonizadores das profundezas do espaço? Não? Pensem um pouco.
Nada, ainda? Está bem. Eu falo: todos os estúpidos deste nosso planeta azul.
Com direito a passagem só de ida, claro!
Só não sei se sobrariam muitos habitantes por aqui...
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Voltei 3
Amigos, voltei.
Fiquei sem postar devido a algumas performances sociais (estamos cada vez mais treinados), e a uma rápida viagem para visitar meu pai (sim, blogueiro também tem pai).
Nos últimos dias a mídia tem destacado casos relacionados à violência no trânsito.
Relato aqui um caso acontecido comigo, que mostra, mais uma vez, que os estúpidos estão querendo dominar o mundo.
Dia e horário: segunda-feira, por volta de 16h30. Muito sol, calor, céu claro com névoa seca, excelente visibilidade.
Local: estrada de pista simples, asfalto não tão bom, acostamento razoável.
Trafego no limite de velocidade da pista, 80 km/h.
Olho no retrovisor e vejo um caminhão, desses de cara chata, azul escuro. Ele está longe, e não me preocupo.
Olho novamente, e ele está um pouco mais perto. Mantenho a velocidade. Em instantes, ele está a poucos metros do meu carro, ameaçador. Sua grade toma completamente o retrovisor.
Contrariando o Código de Trânsito e o limite de velocidade, acelero para tentar me afastar. Não adianta, pois ele está ainda mais próximo. Acelero um pouco mais, e chega uma subida. Ele se afasta. Na próxima descida ele volta a se aproximar demais, quase encostando na traseira do carro.
Sou obrigado a sair para o acostamento para deixá-lo passar, pois o risco de um acidente está muito acima do limite tolerável. Ele quase bate em nosso carro, pois praticamente não esperou que saíssemos completamente da pista e, acelerando ainda mais, segue como se nada tivesse acontecido.
Seu tamanho faz com que seja uma presença a ser "respeitada", pelo menos deve ser o que ele pensa. Eu até pensei em fazer aqui um comentário, segundo o que os psicanalistas costumam afirmar, sobre o tamanho do veículo e sua necessidade de autoafirmação, mas penso ser desnecessário.
Volto para a pista, reduzo a velocidade, com o nível de adrenalina nas alturas, e sigo viagem. Mantenho o olhos nele, que segue bem à frente.
Em outra subida, noto que mais um carro tem que lhe dar passagem, saindo para o acostamento. Ao chegar mais perto, vejo que se trata de uma velha Belina, que não tem potência suficiente em seu motor cansado para aguentar as investidas do potente motor a diesel.
Fico então me perguntando: quantas pessoas mais ele deve ter posto para fora da estrada? Quantas infrações de trânsito ele deve ter cometido em sua triste viagem? Quantos acidentes ele pode ter causado? São esses os chamados "profissionais do volante"? Estaria ele sob o efeito dos famosos "rebites"?
Nessas ocasiões, nunca vemos um policial rodoviário para, ao menos, reclamar desse tipo de conduta imprópria.
São pessoas assim que causam acidentes pelas estradas, devido à sua irresponsabilidade, elevada ao extremo pelo poder que têm nas mãos e no pé direito.
Quando se acidentam e vão sozinhos, só prejudicam a si mesmos.
O problema é que, geralmente, levam outros consigo, que nada têm a ver com seus problemas e com sua estupidez.
E quando morrem, vem então o velório, onde certamente se ouvem conversas parecidas com as que já postei aqui, acrescidos da suprema mentira: "dirigia tão bem...". Se dirigisse tão bem assim, não teria morrido e não teria levado outros consigo.
Até quando teremos que conviver com essas aberrações ao volante que se dizem "motoristas"? Para mim, são verdadeiros moto-terroristas.
Fiquei sem postar devido a algumas performances sociais (estamos cada vez mais treinados), e a uma rápida viagem para visitar meu pai (sim, blogueiro também tem pai).
Nos últimos dias a mídia tem destacado casos relacionados à violência no trânsito.
Relato aqui um caso acontecido comigo, que mostra, mais uma vez, que os estúpidos estão querendo dominar o mundo.
Dia e horário: segunda-feira, por volta de 16h30. Muito sol, calor, céu claro com névoa seca, excelente visibilidade.
Local: estrada de pista simples, asfalto não tão bom, acostamento razoável.
Trafego no limite de velocidade da pista, 80 km/h.
Olho no retrovisor e vejo um caminhão, desses de cara chata, azul escuro. Ele está longe, e não me preocupo.
Olho novamente, e ele está um pouco mais perto. Mantenho a velocidade. Em instantes, ele está a poucos metros do meu carro, ameaçador. Sua grade toma completamente o retrovisor.
Contrariando o Código de Trânsito e o limite de velocidade, acelero para tentar me afastar. Não adianta, pois ele está ainda mais próximo. Acelero um pouco mais, e chega uma subida. Ele se afasta. Na próxima descida ele volta a se aproximar demais, quase encostando na traseira do carro.
Sou obrigado a sair para o acostamento para deixá-lo passar, pois o risco de um acidente está muito acima do limite tolerável. Ele quase bate em nosso carro, pois praticamente não esperou que saíssemos completamente da pista e, acelerando ainda mais, segue como se nada tivesse acontecido.
Seu tamanho faz com que seja uma presença a ser "respeitada", pelo menos deve ser o que ele pensa. Eu até pensei em fazer aqui um comentário, segundo o que os psicanalistas costumam afirmar, sobre o tamanho do veículo e sua necessidade de autoafirmação, mas penso ser desnecessário.
Volto para a pista, reduzo a velocidade, com o nível de adrenalina nas alturas, e sigo viagem. Mantenho o olhos nele, que segue bem à frente.
Em outra subida, noto que mais um carro tem que lhe dar passagem, saindo para o acostamento. Ao chegar mais perto, vejo que se trata de uma velha Belina, que não tem potência suficiente em seu motor cansado para aguentar as investidas do potente motor a diesel.
Fico então me perguntando: quantas pessoas mais ele deve ter posto para fora da estrada? Quantas infrações de trânsito ele deve ter cometido em sua triste viagem? Quantos acidentes ele pode ter causado? São esses os chamados "profissionais do volante"? Estaria ele sob o efeito dos famosos "rebites"?
Nessas ocasiões, nunca vemos um policial rodoviário para, ao menos, reclamar desse tipo de conduta imprópria.
São pessoas assim que causam acidentes pelas estradas, devido à sua irresponsabilidade, elevada ao extremo pelo poder que têm nas mãos e no pé direito.
Quando se acidentam e vão sozinhos, só prejudicam a si mesmos.
O problema é que, geralmente, levam outros consigo, que nada têm a ver com seus problemas e com sua estupidez.
E quando morrem, vem então o velório, onde certamente se ouvem conversas parecidas com as que já postei aqui, acrescidos da suprema mentira: "dirigia tão bem...". Se dirigisse tão bem assim, não teria morrido e não teria levado outros consigo.
Até quando teremos que conviver com essas aberrações ao volante que se dizem "motoristas"? Para mim, são verdadeiros moto-terroristas.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O Centenário de um Gigante
Hoje é comemorado o centenário de nascimento de João Rubinato. Ele nasceu em Valinhos/SP, em 6 de agosto de 1910, e morreu em São Paulo/SP, em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos.
Foi entregador de marmitas, e tentou ser ator. Devido às frustrações, optou por ser cantor, com alguns insucessos no início da carreira.
Casou-se duas vezes, sendo seu segundo casamento o mais duradouro, com Dona Matilde. Frequentou a noite, como grande boêmio que era.
Nos últimos anos de vida, com o enfisema avançando, e a impossibilidade de sair de casa pela noite, dedica-se a recriar alguns dos espaços mágicos que percorreu na vida. Inventa para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos a eletricidade. São rodas-gigante, trens de ferro, carrosséis. Vários e pequenos objetos da ourivesaria popular – enfeites, cigarreiras, bibelôs... Fiel até o fim à sua escolha, às observações que colhe do cotidiano, cria um mundo mágico. Quando recebe alguma visita em casa, que se admira com os objetos criados por ele, ouve dele que “alguns chamavam aquilo de higiene mental, mas que não passava de higiene de débil mental".
Sabe de quem estou falando? Do grande e inimitável compositor e cantor conhecido por Adoniran Barbosa. Seus maiores intérpretes: os Demônios da Garoa. Um homem que soube captar e retratar a alma paulista em suas músicas.
Alguns de seus sucessos: Saudosa Maloca, Joga a Chave, Samba do Arnesto, As Mariposas, Iracema, Tiro ao Álvaro, Trem das Onze, Pafunça.
Não se fazem mais sambistas como antigamente.
Foi entregador de marmitas, e tentou ser ator. Devido às frustrações, optou por ser cantor, com alguns insucessos no início da carreira.
Casou-se duas vezes, sendo seu segundo casamento o mais duradouro, com Dona Matilde. Frequentou a noite, como grande boêmio que era.
Nos últimos anos de vida, com o enfisema avançando, e a impossibilidade de sair de casa pela noite, dedica-se a recriar alguns dos espaços mágicos que percorreu na vida. Inventa para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos a eletricidade. São rodas-gigante, trens de ferro, carrosséis. Vários e pequenos objetos da ourivesaria popular – enfeites, cigarreiras, bibelôs... Fiel até o fim à sua escolha, às observações que colhe do cotidiano, cria um mundo mágico. Quando recebe alguma visita em casa, que se admira com os objetos criados por ele, ouve dele que “alguns chamavam aquilo de higiene mental, mas que não passava de higiene de débil mental".
Sabe de quem estou falando? Do grande e inimitável compositor e cantor conhecido por Adoniran Barbosa. Seus maiores intérpretes: os Demônios da Garoa. Um homem que soube captar e retratar a alma paulista em suas músicas.
Alguns de seus sucessos: Saudosa Maloca, Joga a Chave, Samba do Arnesto, As Mariposas, Iracema, Tiro ao Álvaro, Trem das Onze, Pafunça.
Não se fazem mais sambistas como antigamente.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Dia Nacional da Saúde
Efeméride:
5 de agosto - dia nacional da saúde
Segundo a página Corpo e Saúde, do MSN Brasil, você pode adotar 12 hábitos que ajudam a melhorar sua saúde e sua qualidade de vida. Veja os detalhes aqui. Em itálico, meus singelos comentários.
1. Comer melhor; saco vazio não para em pé, mas não necessariamente você deve enchê-lo com porcarias;
2. Durma bem; mas lembre-se de que nem todos os dias você pode ficar na cama até tarde;
3. Mexa-se; um pouco de exercício é bom, mas videogame não é, necessariamente, uma atividade física;
4. Levante-se da cadeira; principalmente se a fila do buffet estiver pequena;
5. De olho na balança; você não quer ser chamado de "rolha de poço", certo? E não me venha com essa conversa de politicamente correto, de que o certo seria horizontalmente avantajado;
6. Controle os nervos; lembre-se: nada de chiliques;
7. Sorria para a vida; ninguém tem culpa se você chutou o pé da cama, ou se pisou no "presentinho" do seu cachorro logo cedo;
8. Respire bem; esqueça aquela conversa de "se você não me comprar um carrinho (antigamente) ou um videogame (atualmente), eu não vou mais respirar. Isso não cola mais";
9. Apague o cigarro; você quer continuar a queimar dinheiro e encher o saco de quem está do seu lado?
10. Cultive bons amigos; essa é difícil, mas vale a pena tentar. Bons amigos estão em falta no mercado. Tranqueira, bem, isso é o que mais tem por aí;
11. Sexo do bem; precisa comentar?
12. Aprenda a gostar de você. Se você não gostar de você mesmo, quem vai gostar? Mãe não vale, pois ela é altamente suspeita. Mas não me venha com essa conversa mole de metrossexual, OK?
A propósito, cabe uma Pergunta Básica: se o dia 5 de agosto é o dia nacional da saúde, e os outros dias? Sexo, drogas e rock'n'roll à vontade?
Brincadeiras à parte, cuidar um pouco da saúde, sem trocadilhos, só vai fazer bem a você e à sua família. A dica vale principalmente para quem já não é mais criança. Nós podemos nos sentir jovens (de espírito), mas sabemos que o tempo passa. Não é só a uva que passa. Pensemos nisso com carinho, e tomemos uma atitude sensata.
5 de agosto - dia nacional da saúde
Segundo a página Corpo e Saúde, do MSN Brasil, você pode adotar 12 hábitos que ajudam a melhorar sua saúde e sua qualidade de vida. Veja os detalhes aqui. Em itálico, meus singelos comentários.
1. Comer melhor; saco vazio não para em pé, mas não necessariamente você deve enchê-lo com porcarias;
2. Durma bem; mas lembre-se de que nem todos os dias você pode ficar na cama até tarde;
3. Mexa-se; um pouco de exercício é bom, mas videogame não é, necessariamente, uma atividade física;
4. Levante-se da cadeira; principalmente se a fila do buffet estiver pequena;
5. De olho na balança; você não quer ser chamado de "rolha de poço", certo? E não me venha com essa conversa de politicamente correto, de que o certo seria horizontalmente avantajado;
6. Controle os nervos; lembre-se: nada de chiliques;
7. Sorria para a vida; ninguém tem culpa se você chutou o pé da cama, ou se pisou no "presentinho" do seu cachorro logo cedo;
8. Respire bem; esqueça aquela conversa de "se você não me comprar um carrinho (antigamente) ou um videogame (atualmente), eu não vou mais respirar. Isso não cola mais";
9. Apague o cigarro; você quer continuar a queimar dinheiro e encher o saco de quem está do seu lado?
10. Cultive bons amigos; essa é difícil, mas vale a pena tentar. Bons amigos estão em falta no mercado. Tranqueira, bem, isso é o que mais tem por aí;
11. Sexo do bem; precisa comentar?
12. Aprenda a gostar de você. Se você não gostar de você mesmo, quem vai gostar? Mãe não vale, pois ela é altamente suspeita. Mas não me venha com essa conversa mole de metrossexual, OK?
A propósito, cabe uma Pergunta Básica: se o dia 5 de agosto é o dia nacional da saúde, e os outros dias? Sexo, drogas e rock'n'roll à vontade?
Brincadeiras à parte, cuidar um pouco da saúde, sem trocadilhos, só vai fazer bem a você e à sua família. A dica vale principalmente para quem já não é mais criança. Nós podemos nos sentir jovens (de espírito), mas sabemos que o tempo passa. Não é só a uva que passa. Pensemos nisso com carinho, e tomemos uma atitude sensata.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
O heterônomo, o erro e a humildade
Mais um daqueles posts para pensar.
Extraído do "Poema Em Linha Reta", de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Álvaro de Campos. Preciso separar um tempo para ler mais as obras desse grande autor.
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Concordo com o grande poeta. Principalmente quando se fala de alguém que já morreu. Tanto faz se é no velório, ou um bom tempo depois.
- Ah! Era tão bom...
- É verdade... Nunca fez mal a uma mosca.
Não é porque morreu que passa a ser uma pessoa boa, automaticamente. Tudo o que a pessoa fez ou deixou de fazer, falou ou deixou de falar, foi importante e afetou uns e outros, de alguma maneira, ao longo da vida. E, muitas vezes, ficou na memória dos que lhe foram próximos, em algum momento. Sejam lembranças boas, sejam ruins.
Suas ofensas, impropérios, elogios, fotos, atos, palavras, documentos, diplomas, cartas, mensagens (eletrônicas ou não), podem ter levado a boas ou más consequências.
Um projeto mal feito, uma operação mal realizada, uma obturação mal finalizada, uma aula mal dada, uma defesa mal elaborada, um copo ou uma garfada a mais (ou a menos), um beijo roubado, um olhar malicioso, uma fofoca, uma olhada na prova do vizinho...
Pois que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um ato passível de reprovação.
Deixemos de ser hipócritas. Conosco, e com os outros.
Sejamos um pouco menos estúpidos e um pouco mais humildes. Aprendamos um pouco com nossos erros. E com os dos outros, também.
Já passou da hora de crescer.
Extraído do "Poema Em Linha Reta", de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Álvaro de Campos. Preciso separar um tempo para ler mais as obras desse grande autor.
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Concordo com o grande poeta. Principalmente quando se fala de alguém que já morreu. Tanto faz se é no velório, ou um bom tempo depois.
- Ah! Era tão bom...
- É verdade... Nunca fez mal a uma mosca.
Não é porque morreu que passa a ser uma pessoa boa, automaticamente. Tudo o que a pessoa fez ou deixou de fazer, falou ou deixou de falar, foi importante e afetou uns e outros, de alguma maneira, ao longo da vida. E, muitas vezes, ficou na memória dos que lhe foram próximos, em algum momento. Sejam lembranças boas, sejam ruins.
Suas ofensas, impropérios, elogios, fotos, atos, palavras, documentos, diplomas, cartas, mensagens (eletrônicas ou não), podem ter levado a boas ou más consequências.
Um projeto mal feito, uma operação mal realizada, uma obturação mal finalizada, uma aula mal dada, uma defesa mal elaborada, um copo ou uma garfada a mais (ou a menos), um beijo roubado, um olhar malicioso, uma fofoca, uma olhada na prova do vizinho...
Pois que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um ato passível de reprovação.
Deixemos de ser hipócritas. Conosco, e com os outros.
Sejamos um pouco menos estúpidos e um pouco mais humildes. Aprendamos um pouco com nossos erros. E com os dos outros, também.
Já passou da hora de crescer.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Ser feliz é uma obrigação - em breve, legal
Coluna do Arnaldo Jabor no Estadão de hoje, ácido e preciso como sempre:
A felicidade é uma obrigação de mercado
Seguem dois dos parágrafos:
Antigamente, a felicidade era uma missão a ser cumprida, a conquista de algo maior que nos coroasse de louros; a felicidade demandava "sacrifício". Olhando os retratos antigos, vemos que a felicidade masculina estava ligada à ideia de "dignidade", vitória de um projeto de poder. Vemos os barbudos do século 19 de nariz empinado, perfis de medalha, tirânicos sobre a mulher e os filhos, ocupados em realizar a "felicidade" da família. Mas, quando eu era criança, via em meus parentes, em minha casa, que a tal felicidade era cortada por uma certa tristeza, quase desejada. Já tinha começado o desgaste das famílias nucleares pelo ritmo da modernidade.
Hoje, a felicidade é uma obrigação de mercado. Ser deprimido não é mais "comercial". A infelicidade de hoje é dissimulada pela alegria obrigatória. É impossível ser feliz como nos anúncios de margarina, é impossível ser sexy como nos comerciais de cerveja. Esta "felicidade" infantil da mídia se dá num mundo cheio de tragédias sem solução, como uma "disneylândia" cercada de homens-bomba.
A íntegra da coluna você lê aqui.
Só que não precisamos mais nos preocupar com a tal felicidade, pois tramita no Senado uma Proposta de Emenda à Constituição - PEC para incluir a busca pela felicidade no artigo 6º da Constituição, cujo autor é o Senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Veja aqui.
Na Câmara dos Deputados, a Deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) está à frente da mobilização pela coleta de assinaturas para que também seja protocolado um pedido de PEC sobre o mesmo tema.
Pergunta básica: para quê, mesmo, duas propostas iguais? Só para depois serem apensadas, uma à outra? Alguém já ouviu falar em desperdício de tempo e de dinheiro? Alguém acredita que isso existe na Banânia?
O site Congresso em Foco tem uma lista de notícias sobre o assunto. Veja aqui.
Quando fiz a busca, agora há pouco, a expressão "PEC da felicidade" mostrou 90.400 entradas no Google.
Os adeptos dessa "importante" inclusão na CF têm até site: http://www.maisfeliz.org/site/, além campanhas em várias mídias. Ah, sim! E muitas adesões dos "famosos" de plantão, prontos para abraçar qualquer maneira de aumentar a exposição. Convenhamos: nem relógio trabalha mais de graça...
Caso seja aprovada, e tem tudo para isso (apoios no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, além da chamada sociedade civil), aí sim estaremos garantidos.
Realmente não teremos mais nada com que nos preocupar.
Como já dizia o grande Garrincha, só falta combinar com os russos.
A felicidade é uma obrigação de mercado
Seguem dois dos parágrafos:
Antigamente, a felicidade era uma missão a ser cumprida, a conquista de algo maior que nos coroasse de louros; a felicidade demandava "sacrifício". Olhando os retratos antigos, vemos que a felicidade masculina estava ligada à ideia de "dignidade", vitória de um projeto de poder. Vemos os barbudos do século 19 de nariz empinado, perfis de medalha, tirânicos sobre a mulher e os filhos, ocupados em realizar a "felicidade" da família. Mas, quando eu era criança, via em meus parentes, em minha casa, que a tal felicidade era cortada por uma certa tristeza, quase desejada. Já tinha começado o desgaste das famílias nucleares pelo ritmo da modernidade.
Hoje, a felicidade é uma obrigação de mercado. Ser deprimido não é mais "comercial". A infelicidade de hoje é dissimulada pela alegria obrigatória. É impossível ser feliz como nos anúncios de margarina, é impossível ser sexy como nos comerciais de cerveja. Esta "felicidade" infantil da mídia se dá num mundo cheio de tragédias sem solução, como uma "disneylândia" cercada de homens-bomba.
A íntegra da coluna você lê aqui.
Só que não precisamos mais nos preocupar com a tal felicidade, pois tramita no Senado uma Proposta de Emenda à Constituição - PEC para incluir a busca pela felicidade no artigo 6º da Constituição, cujo autor é o Senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Veja aqui.
Na Câmara dos Deputados, a Deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) está à frente da mobilização pela coleta de assinaturas para que também seja protocolado um pedido de PEC sobre o mesmo tema.
Pergunta básica: para quê, mesmo, duas propostas iguais? Só para depois serem apensadas, uma à outra? Alguém já ouviu falar em desperdício de tempo e de dinheiro? Alguém acredita que isso existe na Banânia?
O site Congresso em Foco tem uma lista de notícias sobre o assunto. Veja aqui.
Quando fiz a busca, agora há pouco, a expressão "PEC da felicidade" mostrou 90.400 entradas no Google.
Os adeptos dessa "importante" inclusão na CF têm até site: http://www.maisfeliz.org/site/, além campanhas em várias mídias. Ah, sim! E muitas adesões dos "famosos" de plantão, prontos para abraçar qualquer maneira de aumentar a exposição. Convenhamos: nem relógio trabalha mais de graça...
Caso seja aprovada, e tem tudo para isso (apoios no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, além da chamada sociedade civil), aí sim estaremos garantidos.
Realmente não teremos mais nada com que nos preocupar.
Como já dizia o grande Garrincha, só falta combinar com os russos.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Vida de concurseiro II
Depois de passar no primeiro concurso, a gente fica infectado pelo "vírus concurseiro". E não para mais. Quer sempre aquele outro cargo, que paga mais um pouco, ou tem mais status...
E por isso, depois de lermos os editais, percebemos que temos que conhecer a Constituição (inteira, mais todas as Emendas e o ADCT), as mais variadas leis, os Regimentos Internos, as Súmulas e a jurisprudência...
E as matérias? Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Tributário, Direito Civil, Direito Penal, Direito Trabalhista, Direito Previdenciário, Direito Ambiental, Português, Inglês, Espanhol, Raciocínio Lógico, Informática, Atualidades, Geografia, História, Auditoria, Contabilidade, Administração, Psicologia, Matemática Financeira, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica... Ufa!
Chega o grande dia, vem a viagem, o hotel, as provas. Sai o gabarito prévio das provas objetivas, abre-se o prazo para os recursos, vem o gabarito definitivo, a correção das provas discursivas, o prazo para os outros recursos, e o resultado final. Se ninguém entrar na Justiça porque ficou inconformado, sai a tão esperada lista dos aprovados. Segue-se um período terrível de ansiedade, aguardando a nomeação. Se o seu nome não está lá, bem, leia o que se passa no post Vida de Concurseiro I, aqui.
Depois de ver o nome no Diário Oficial, tem que apresentar certidões negativas dos foros cíveis e criminais das justiças federal e estaduais de onde morou nos últimos cinco anos, justiças militares federal e estaduais de onde morou nos últimos cinco anos (para quê, se eu nunca fui militar?), antecedentes criminais das polícias civil e federal, e certidão de que nunca respondeu e foi punido em processo administrativo disciplinar. Todas as certidões não podem ter mais do que seis meses de expedição. E ter registro no respectivo conselho de classe da sua área de formação, além de, obviamente, esta em dia com a anuidade. E estar quite com suas obrigações eleitorais. E cópia da declaração do imposto de renda, de todos os seus documentos pessoais, dos diplomas do segundo grau, da graduação, da pós-graudação, do mestrado e do doutorado... Ufa, ufa!!
E tem mais: exames de sangue (completíssimo, incluindo todas aquelas doenças das quais você só ouviu falar em livros de medicina), de fezes, de urina, sorológico, toxicológico, odontológico, oftalmológico, audiométrico, urológico, gastroenterológico, chapa do pulmão, exame psicotécnico, laudo psicológico, laudo psiquiátrico, eletrocardiograma, eletroencefalograma, fazer exame clínico, teste de aptidão física digno de atleta olímpico, entrevista... Ufa, ufa e mais ufa!!!
E ainda tem o curso de formação (geralmente eliminatório) e o estágio probatório de três anos. Argh!!!!
Enfim, um super-dotado, super-homem e exemplo de retidão de caráter, moral ilibada e ética acima de qualquer suspeita para ser um servidor público. E ganhar um salário, muitas vezes, por volta de R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00. E ficar sem correção salarial por anos a fio, vendo a inflação devorar seus rendimentos. E ter que aguentar chefes indicados por políticos, ambos sem qualquer qualificação técnica.
E trabalhar, às vezes, muito mais do que as quarenta horas por semana estipuladas na Constituição, à noite, aos sábados, domingos e feriados, e sem receber horas extras (no máximo, elas vão para o banco de horas, quando implantado). Se precisar viajar, terá que ser sem diária, pois nunca tem verba. O computador é lento, o veículo é velho e está sem manutenção há meses, não há material de escritório, nem de limpeza, a mesa está com o pé quebrado. E ainda por cima será chamado de marajá, de vagabundo, de mal-educado...
E para os cargos eletivos? Às vezes, nem precisa saber ler e escrever direito... Basta ter dinheiro para a campanha. E são eles, os eleitos, que vão fazer as leis, ou vão mandar nos servidores... E vão preencher os cargos comissionados com seus cabos eleitorais, já pensando nas próximas eleições.
Não sei, não... Parece que tem alguma coisa errada nesta história...
E por isso, depois de lermos os editais, percebemos que temos que conhecer a Constituição (inteira, mais todas as Emendas e o ADCT), as mais variadas leis, os Regimentos Internos, as Súmulas e a jurisprudência...
E as matérias? Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Tributário, Direito Civil, Direito Penal, Direito Trabalhista, Direito Previdenciário, Direito Ambiental, Português, Inglês, Espanhol, Raciocínio Lógico, Informática, Atualidades, Geografia, História, Auditoria, Contabilidade, Administração, Psicologia, Matemática Financeira, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica... Ufa!
Chega o grande dia, vem a viagem, o hotel, as provas. Sai o gabarito prévio das provas objetivas, abre-se o prazo para os recursos, vem o gabarito definitivo, a correção das provas discursivas, o prazo para os outros recursos, e o resultado final. Se ninguém entrar na Justiça porque ficou inconformado, sai a tão esperada lista dos aprovados. Segue-se um período terrível de ansiedade, aguardando a nomeação. Se o seu nome não está lá, bem, leia o que se passa no post Vida de Concurseiro I, aqui.
Depois de ver o nome no Diário Oficial, tem que apresentar certidões negativas dos foros cíveis e criminais das justiças federal e estaduais de onde morou nos últimos cinco anos, justiças militares federal e estaduais de onde morou nos últimos cinco anos (para quê, se eu nunca fui militar?), antecedentes criminais das polícias civil e federal, e certidão de que nunca respondeu e foi punido em processo administrativo disciplinar. Todas as certidões não podem ter mais do que seis meses de expedição. E ter registro no respectivo conselho de classe da sua área de formação, além de, obviamente, esta em dia com a anuidade. E estar quite com suas obrigações eleitorais. E cópia da declaração do imposto de renda, de todos os seus documentos pessoais, dos diplomas do segundo grau, da graduação, da pós-graudação, do mestrado e do doutorado... Ufa, ufa!!
E tem mais: exames de sangue (completíssimo, incluindo todas aquelas doenças das quais você só ouviu falar em livros de medicina), de fezes, de urina, sorológico, toxicológico, odontológico, oftalmológico, audiométrico, urológico, gastroenterológico, chapa do pulmão, exame psicotécnico, laudo psicológico, laudo psiquiátrico, eletrocardiograma, eletroencefalograma, fazer exame clínico, teste de aptidão física digno de atleta olímpico, entrevista... Ufa, ufa e mais ufa!!!
E ainda tem o curso de formação (geralmente eliminatório) e o estágio probatório de três anos. Argh!!!!
Enfim, um super-dotado, super-homem e exemplo de retidão de caráter, moral ilibada e ética acima de qualquer suspeita para ser um servidor público. E ganhar um salário, muitas vezes, por volta de R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00. E ficar sem correção salarial por anos a fio, vendo a inflação devorar seus rendimentos. E ter que aguentar chefes indicados por políticos, ambos sem qualquer qualificação técnica.
E trabalhar, às vezes, muito mais do que as quarenta horas por semana estipuladas na Constituição, à noite, aos sábados, domingos e feriados, e sem receber horas extras (no máximo, elas vão para o banco de horas, quando implantado). Se precisar viajar, terá que ser sem diária, pois nunca tem verba. O computador é lento, o veículo é velho e está sem manutenção há meses, não há material de escritório, nem de limpeza, a mesa está com o pé quebrado. E ainda por cima será chamado de marajá, de vagabundo, de mal-educado...
E para os cargos eletivos? Às vezes, nem precisa saber ler e escrever direito... Basta ter dinheiro para a campanha. E são eles, os eleitos, que vão fazer as leis, ou vão mandar nos servidores... E vão preencher os cargos comissionados com seus cabos eleitorais, já pensando nas próximas eleições.
Não sei, não... Parece que tem alguma coisa errada nesta história...
O Tesouro e os concursos
Na Folha:
02/08/2010 - 04h00
Tesouro arrecada R$ 75 mi com concursos em 5 meses
DE SÃO PAULO
As taxas de inscrição para concursos públicos viraram fonte de receita para União, Estados e municípios. De janeiro a maio deste ano, só o Tesouro Nacional recebeu R$ 75,6 milhões provenientes da cobrança das taxas, informa reportagem de Elvira Lobato, publicada nesta segunda-feira pela Folha (a íntegra da matéria estava disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL, o que não é meu caso).
A última seleção para agentes da Polícia Rodoviária Federal, que está suspensa para a apuração de suspeita de fraude, rendeu ao Tesouro R$ 1,7 milhão de lucro, diz a Fundação Funrio, que aplicou as provas.
Já no exame de seleção do Corpo de Bombeiros do Rio, para 5.000 vagas, R$ 2,7 milhões dos R$ 6,8 milhões arrecadados com as taxas voltaram para o caixa da corporação. O concurso atraiu ao todo 162 mil candidatos.
A primeira exigência dos órgãos públicos ao abrir concursos é não ter despesa com os exames de seleção. Assim, a estimativa de gastos é jogada na taxa. Muitas vezes, o total de inscritos supera a previsão.
O original do texto transcrito acima está aqui.
E pensar que esse dinheiro todo foi arrecadado em apenas 5 meses. Quanto mais será arrecadado ao longo desse ano de 2010?
No post seguinte, vai uma reflexão sobre essa vida de concurseiro.
02/08/2010 - 04h00
Tesouro arrecada R$ 75 mi com concursos em 5 meses
DE SÃO PAULO
As taxas de inscrição para concursos públicos viraram fonte de receita para União, Estados e municípios. De janeiro a maio deste ano, só o Tesouro Nacional recebeu R$ 75,6 milhões provenientes da cobrança das taxas, informa reportagem de Elvira Lobato, publicada nesta segunda-feira pela Folha (a íntegra da matéria estava disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL, o que não é meu caso).
A última seleção para agentes da Polícia Rodoviária Federal, que está suspensa para a apuração de suspeita de fraude, rendeu ao Tesouro R$ 1,7 milhão de lucro, diz a Fundação Funrio, que aplicou as provas.
Já no exame de seleção do Corpo de Bombeiros do Rio, para 5.000 vagas, R$ 2,7 milhões dos R$ 6,8 milhões arrecadados com as taxas voltaram para o caixa da corporação. O concurso atraiu ao todo 162 mil candidatos.
A primeira exigência dos órgãos públicos ao abrir concursos é não ter despesa com os exames de seleção. Assim, a estimativa de gastos é jogada na taxa. Muitas vezes, o total de inscritos supera a previsão.
O original do texto transcrito acima está aqui.
E pensar que esse dinheiro todo foi arrecadado em apenas 5 meses. Quanto mais será arrecadado ao longo desse ano de 2010?
No post seguinte, vai uma reflexão sobre essa vida de concurseiro.
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